Margaret Crane: A Visionária por Trás do Teste de Gravidez Caseiro

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O universo feminino viu sua história ser transformada por uma mulher que desafiou as convenções de seu tempo. Margaret Crane, uma designer e publicitária sem formação científica, se destacou como uma figura seminal na evolução da autonomia feminina ao criar o teste de gravidez caseiro. Este feito revolucionário, que permitiu que as mulheres obtivessem controle sobre seus corpos de maneira rápida, privada e acessível, permanece como um marco na história da ciência e da igualdade de gênero.

A história da criação do teste de gravidez caseiro começa em 1967, quando Margaret, com apenas 26 anos, trabalhava na Organon Pharmaceuticals. Inicialmente contratada para projetar uma linha de cosméticos, seu interesse tomou um rumo inesperado quando visitou o laboratório da empresa. Lá, deparou-se com uma fila de provetas apoiadas sob um espelho, que serviam para realizar testes de gravidez.

À época, o processo para confirmar uma gravidez era demorado e desprovido de privacidade. A mulher com suspeita de gravidez precisava coletar urina e enviá-la a um laboratório especializado, onde o hormônio da gravidez, a gonadotrofina coriônica humana (hCG), era detectado. Isso era feito através de uma reação química que formava um círculo roxo na proveta, indicando a presença do hormônio. No entanto, todo o processo levava até duas semanas e exigia que a mulher passasse por um médico para receber a notícia.

Margaret Crane, com seu espírito criativo, vislumbrou uma maneira de tornar o processo mais acessível e íntimo. Ela concebeu a ideia de um teste de gravidez que pudesse ser feito em casa. Sua proposta consistia em um dispositivo que combinasse o tubo de coleta de urina com um espelho, permitindo que o resultado fosse visto em poucos minutos. A Organon Pharmaceuticals não aprovou a ideia, temendo que o teste caseiro prejudicasse os negócios da empresa e não fosse bem recebido pelos médicos.

No entanto, a ideia de Crane encontrou apoio na sede da Organon Pharmaceuticals na Holanda, onde já existiam produtos de venda direta ao consumidor. Como resultado, o teste, batizado de “Predictor,” foi lançado em 1969 com duas patentes registradas no nome de Margaret Crane. Surpreendentemente, a jovem designer abriu mão de seus direitos sobre a invenção, recebendo apenas um dólar em troca, pois o custo do registro de patente era proibitivo.

Por décadas, a contribuição de Crane ao mundo dos testes de gravidez permaneceu desconhecida, até 2012. Nesse ano, quando o teste completou 35 anos, Margaret se apresentou como sua inventora. Instituições notáveis, como o Instituto Smithsonian, o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos e o FDA, buscavam o primeiro protótipo do teste caseiro para seus arquivos. Felizmente, Crane ainda guardava o protótipo original, juntamente com uma das primeiras versões comerciais, além das instruções em francês e inglês.

O legado de Margaret Crane é agora reconhecido como um marco na história da autonomia feminina. Seu teste de gravidez caseiro permitiu que as mulheres obtivessem informações sobre seus corpos de forma rápida, privada e acessível, capacitando-as a tomar decisões informadas. A contribuição de Crane, que por muito tempo permaneceu esquecida, é uma prova do poder da inovação e da determinação.

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